Burnout, absenteísmo e presenteísmo: quanto o adoecimento mental custa

Turnover, presenteísmo, plano de saúde e FAP. Onde o adoecimento mental aparece na conta da empresa e por que prevenir sai mais barato do que remediar.

Quando a diretoria discute saúde mental, a conversa costuma ser tratada como pauta de RH. Ela é, mas não só. Grande parte do custo do adoecimento mental está espalhada por linhas do orçamento que ninguém associa ao tema, e é por isso que ele demora tanto a virar prioridade.

Vale fazer o caminho inverso: em vez de perguntar quanto custa cuidar, listar onde a empresa já está pagando por não cuidar.

Onde o custo aparece

Rotatividade

Cada saída custa o processo de desligamento, o recrutamento, a seleção, a integração e o tempo até o substituto atingir a produtividade de quem saiu. Some a isso o conhecimento que vai embora e a sobrecarga da equipe no intervalo. Quando a saída é motivada por ambiente, ela costuma vir em série, e não isolada.

Plano de saúde

A sinistralidade da carteira é reavaliada periodicamente e é ela que define o reajuste do ano seguinte. Consultas, terapias, exames e internações relacionadas a transtornos mentais entram nessa conta. É um dos poucos lugares em que o efeito da prevenção aparece de forma bem direta na planilha.

Afastamentos e FAP

Além do custo direto do afastamento, existe o Fator Acidentário de Prevenção, que ajusta a alíquota do RAT conforme o histórico de acidentes e de afastamentos da empresa. Empresa que adoece mais paga mais. É um multiplicador que age sobre a folha inteira, ano após ano.

Passivo trabalhista

Ações que envolvem assédio, sobrecarga, adoecimento e ambiente de trabalho tendem a ser caras e demoradas, e o custo não é só o valor da condenação. É o tempo do jurídico, é o desgaste da marca empregadora e, cada vez mais, é a dificuldade de contratar depois.

Presenteísmo

O mais silencioso. A pessoa está lá, cumpre a jornada, e entrega uma fração do que entregaria. Não gera atestado, não aparece em relatório de RH e não some do custo: ele está integralmente pago na folha.

Absenteísmo aparece no relatório. Presenteísmo aparece no resultado, e ninguém sabe explicar por quê.

Por que a prevenção muda a conta

Prevenir riscos psicossociais atua na causa comum de todas essas linhas. Não é uma ação que resolve uma delas: é o que reduz a pressão sobre todas ao mesmo tempo. As empresas que acompanham esse investimento costumam observar melhora em:

  • Redução do custo com plano de saúde
  • Redução de passivo trabalhista
  • Diminuição de afastamentos
  • Melhora no absenteísmo e no presenteísmo
  • Redução de colaboradores adoecidos
  • Melhora no FAP
  • Diminuição do turnover
  • Líderes e colaboradores com melhor performance
  • Empresa regular, sem exposição a autuação

Como medir se está funcionando

Defina a linha de base antes de começar. Sem o número de antes, qualquer resultado depois vira opinião. Vale registrar, no mínimo:

  • Turnover por área, nos últimos doze meses
  • Dias de afastamento por CID relacionado a transtorno mental
  • Sinistralidade do plano de saúde
  • Número de ações trabalhistas com tema de ambiente ou assédio
  • Resultado do inventário psicossocial, por setor

Reavalie a cada doze meses, com o mesmo instrumento. É essa comparação, e não a percepção do time, que sustenta a continuidade do programa diante da diretoria.

Uma observação sobre o ponto de partida

Nenhuma dessas contas melhora com ação genérica. Programa de bem-estar comprado de catálogo, sem diagnóstico, costuma tratar o que não é o problema daquela empresa e não move indicador nenhum. É por isso que o diagnóstico vem primeiro: ele é o que transforma orçamento de saúde mental em decisão de gestão, com prioridade e prazo.

Escrito pela equipe técnica da INFOCO Saúde Corporativa. Nosso trabalho é a implementação da NR-1 e a gestão de riscos psicossociais, em Goiânia e em todo o Brasil.

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