Saúde mental no trabalho: por que a sua empresa precisa agir agora

O Brasil registrou 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, alta de 134% em dois anos. O cenário em números e o que realmente funciona na prevenção.

Os números não mentem: o Brasil vive uma crise de saúde mental no ambiente de trabalho. E ela está custando caro, para as pessoas e para as empresas.

O cenário em números

AnoAfastamentos por saúde mentalVariação
2023~220 mil-
2024472 mil+68%
2025546 mil+15% (recorde)

Segundo dados do INSS, os afastamentos por transtornos mentais aumentaram 134% em dois anos. As principais causas:

  • Ansiedade: 166.489 licenças em 2025
  • Depressão: 126.608 licenças em 2025
  • Burnout: reconhecido como doença ocupacional pela OMS desde 2022 (CID-11)
O impacto econômico é brutal: estima-se que problemas de saúde mental custam R$554 bilhões por ano à economia brasileira (4,7% do PIB), considerando absenteísmo, presenteísmo e rotatividade.

Por que isso é problema da empresa

Muitos gestores ainda tratam saúde mental como "problema pessoal" do colaborador. Mas a legislação brasileira evoluiu:

  • A NR-1 atualizada obriga empresas a incluir riscos psicossociais no PGR
  • O burnout é doença ocupacional, se comprovado nexo com o trabalho, a empresa responde
  • A Lei 14.457 exige canais de denúncia com acompanhamento
  • Processos trabalhistas por assédio moral somaram 419 mil ações em 3 anos (CNJ)

O que funciona: prevenção, não reação

Empresas que investem em prevenção colhem resultados concretos:

1. Canal de escuta ativa

Um canal seguro e anônimo onde colaboradores podem relatar situações de risco antes que se tornem crises. Funciona como um "termômetro" da saúde organizacional.

2. Mapeamento de riscos

Pesquisas de clima, análise de indicadores (absenteísmo, rotatividade, afastamentos) e escuta ativa permitem identificar os setores e situações de maior risco.

3. Capacitação de lideranças

Gestores são a primeira linha de contato. Treiná-los para identificar sinais de sofrimento e agir com empatia é fundamental.

4. Apoio psicológico acessível

Parcerias com profissionais de saúde mental, programas de assistência ao empregado (PAE) e suporte psicológico integrado ao canal de escuta.

O custo de não agir

Além da autuação prevista pela NR-1, em vigor desde maio de 2026, empresas que ignoram a saúde mental enfrentam:

  • Rotatividade elevada, custo de substituição pode chegar a 2x o salário do colaborador
  • Queda de produtividade, presenteísmo (estar no trabalho mas não produzir) é silencioso e custoso
  • Dano reputacional, ex-colaboradores compartilham experiências em redes sociais e plataformas como Glassdoor
  • Processos trabalhistas, assédio moral e burnout são cada vez mais judicializados

Conclusão

Cuidar da saúde mental no trabalho não é "luxo", é gestão responsável. As empresas que entenderem isso primeiro terão vantagem competitiva: menos afastamentos, mais engajamento, melhor reputação e conformidade legal.

A pergunta não é "se" sua empresa vai precisar agir, mas "quando". E o melhor momento é agora.

Escrito por Marjorie Vaz, CEO da INFOCO Saúde Corporativa, psicóloga e neuropsicóloga, CRP 09/7348. Publicado originalmente em 24 de fevereiro de 2026.

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