NR-1 e Riscos Psicossociais: o que muda para a sua empresa
A atualização da NR-1 tornou obrigatório incluir os riscos psicossociais no PGR. O cronograma da norma, o que fazer em cada etapa e o que muda agora que a fiscalização começou.
Ler o artigoSaber que a NR-1 mudou é a parte fácil. Este é o passo a passo de como o diagnóstico acontece dentro da empresa, o que sai em cada etapa e quem responde por cada documento.
A parte fácil da NR-1 já é conhecida: desde a Portaria 1.419, o risco psicossocial entrou no gerenciamento de riscos ocupacionais e a fiscalização começou em maio de 2026. A pergunta que sobra nas reuniões é outra, e bem mais concreta: como é que isso acontece dentro da empresa, na prática?
É disso que este texto trata. O que se aplica, quem participa, o que sai em cada etapa e onde o processo costuma travar.
O risco psicossocial agora precisa percorrer o mesmo caminho de qualquer outro risco dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos. Ou seja, ele precisa ser:
O ponto que costuma escapar é o último. Muita empresa entende a norma como uma entrega única, um documento a ser produzido e arquivado. Não é. É um ciclo de gestão que acompanha a vida da operação.
O Guia de Informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho, publicado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, lista os principais. Vale ler a lista com atenção, porque quase toda empresa reconhece pelo menos três deles na própria rotina:
Repare que a maior parte deles não é sobre o indivíduo. É sobre como o trabalho está organizado. Baixa clareza de papel não se resolve com ginástica laboral: se resolve com descrição de cargo bem-feita. Baixa justiça organizacional não se resolve com palestra motivacional: se resolve com critério transparente de promoção e de avaliação.
Quando o diagnóstico é bem-feito, ele quase nunca aponta para o colaborador. Aponta para a gestão.
Existe uma confusão frequente entre três entregas que são complementares, e não substitutas:
O engenheiro previne o risco. O médico monitora a saúde. O psicólogo avalia o impacto humano e emocional. Quando essas três frentes não conversam, a empresa acaba com documentos que se contradizem, o que é pior do que não ter documento nenhum diante de uma fiscalização.
A sequência que aplicamos nas empresas que atendemos tem cinco etapas, e a primeira delas é a que mais gera resistência e a que mais entrega valor.
Se a sua empresa ainda não passou por esse processo, o primeiro passo não é contratar uma ação de bem-estar. É descobrir onde o risco está. Sem diagnóstico, qualquer ação é chute caro.
Escrito pela equipe técnica da INFOCO Saúde Corporativa. Nosso trabalho é a implementação da NR-1 e a gestão de riscos psicossociais, em Goiânia e em todo o Brasil.
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