Treinamento de liderança: por que só a técnica não basta

Boa parte do risco psicossocial de uma empresa passa pela relação com a chefia imediata. Veja quais competências mudam essa relação e por que elas não se desenvolvem em treinamento de gestão tradicional.

Quando um diagnóstico de riscos psicossociais aponta problema em uma área específica, a variável que mais explica a diferença entre aquele setor e os outros costuma ser a mesma: a relação com a liderança imediata.

Isso não é acusação a gestor nenhum. É consequência de como as pessoas chegam à liderança nas empresas brasileiras. Promove-se o melhor técnico, o mais antigo, o que entrega mais. E entrega-se a ele a responsabilidade sobre a experiência de trabalho de outras pessoas, sem que ninguém tenha preparado para a parte mais difícil do cargo.

O que o treinamento de gestão tradicional não cobre

Formações de liderança costumam ensinar planejamento, delegação, gestão de indicadores e método. Tudo necessário. Nenhum deles ajuda o gestor às onze da manhã de uma terça, quando ele precisa dizer a alguém que o trabalho não está bom, sabendo que a pessoa está passando por um problema pessoal, e sem ter recebido em lugar nenhum a habilidade de conduzir aquela conversa.

É nesse ponto que a liderança vira fator de risco ou vira fator de proteção. E é uma competência emocional, não técnica.

Quem não reconhece o que sente lidera com o que transborda, mesmo sem perceber.

As competências que mudam a rotina

Gestão emocional

Autoconsciência e autorregulação: a capacidade de lidar com emoções, pressão, conflitos e situações desafiadoras sem perder a qualidade das relações e das decisões. Não é sobre não sentir. É sobre não descarregar na equipe o que é seu.

Habilidades sociais e comunicação

Escuta, empatia e comunicação assertiva como ferramentas de trabalho. Um líder que comunica expectativa com clareza reduz, sozinho, dois fatores de riscos listados pela NR-1: baixa clareza de papel e trabalho em condições de difícil comunicação.

Feedback que desenvolve

Transformar o feedback em ferramenta de desenvolvimento, sabendo reconhecer o que foi bem-feito, abordar pontos de melhoria e conduzir conversas difíceis com clareza, respeito e assertividade. Feedback mal conduzido não é neutro: ele adoece.

Avaliação de desempenho

Avaliar de forma objetiva, justa e estratégica, com critérios claros. Aqui a competência emocional encontra a estrutura: critério transparente é o que sustenta a percepção de justiça organizacional, outro fator de risco da norma.

Conversas difíceis e gestão de conflitos

Segurança para lidar com divergência, comportamento inadequado e conflito, preservando o respeito e a qualidade das relações. Conflito não tratado não desaparece: ele migra para o clima da equipe inteira.

Como isso se desenvolve

Não em palestra. As competências emocionais se desenvolvem a partir de situações práticas do cotidiano do próprio gestor, com espaço para reflexão, aprendizagem, prática e aplicação. O objetivo não é que o líder compreenda os conceitos, e sim que ele consiga usá-los na próxima conversa difícil, que provavelmente acontece nesta semana.

Na Escola para Líderes da INFOCO, o recorte é esse: gestão emocional e inteligência emocional aplicadas à liderança, com base em situações reais de gestão de pessoas, e não em conteúdo técnico de administração.

O efeito no indicador

Formar líderes é uma das poucas ações que atuam ao mesmo tempo sobre vários fatores de riscos psicossociais: clareza de papel, reconhecimento, suporte, justiça organizacional, relações no trabalho e gestão de mudanças. Nenhuma ação isolada de bem-estar alcança essa amplitude.

Uma liderança mais preparada produz equipes mais fortalecidas e relações de trabalho mais saudáveis. E isso aparece, com o tempo, exatamente nos números que a diretoria acompanha.

Escrito pela equipe técnica da INFOCO Saúde Corporativa. Nosso trabalho é a implementação da NR-1 e a gestão de riscos psicossociais, em Goiânia e em todo o Brasil.

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